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ARTIGO: “JUDEUS PIRATAS” (POR YAIR ATINGER,TRADUZIDO E ADAPTADO POR DAVID SALGADO)

23 dez

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Jornal Haaretz – Yair Atinger Tenho acompanhando uma série de matérias publicadas no jornal Haaretz pelo jornalista Yair Atinger sobre o problema da conversão em Israel. Na terceira matéria da série, o jornalista traz a impressionante narrativa do que ele chamou: “Judeus Piratas”. Leiam vocês mesmos, através de nossa tradução livre, alguns trechos desta matéria.

David Salgado – tradução livre

 

Com o intuito de evitar a cidadania de não judeus, preocupa-se o governo, em dificultar a vida daqueles que buscam o retorno através da conversão. Assim, temos no país, anualmente, centenas de pessoas que querem se converter ao judaísmo de acordo com a Halachá, mas que acabam optando por fazê-lo pelo modo “pirata”.

Shira e Emanuel (nomes fictícios), conheceram-se há alguns anos atrás quando Shira, que é israelense, fazia um passeio pela América do Sul. Eles se apaixonaram, vieram para Israel e queriam viver juntos conforme a religião de Moisés e Israel (Kedat Moshe VeIsrael). Mas para que isto acontecesse, Emanuel precisava se converter. Porém, passaram-se anos e o pedido para conversão não foi aprovado. “Três anos esperamos, e então decidimos tomar providências. Estamos felizes por isso, só sentimos ter esperado até que fossemos colocados para escanteio. Teria sido muito melhor se tivéssemos a coragem de fazer isso antes”, afirma Emanuel.

Após anos de espera que a porta do Rabinato se abrisse, Emanuel e Shira abriram outra porta. Emanuel, assim como centenas de outros nessa mesma situação, dirigiu-se a conversão particular e tornou-se judeu “kasher lemehadrin”, respeitador do Shabat, sem esperar pelo carimbo do governo. Hoje eles vivem como um casal, pais de uma linda menina, e Shira está grávida de outro bebê.

Mais do que qualquer área sobre a tutela do Rabinato de Israel, é a conversão particular que vem ganhando espaço nos últimos anos. Centenas de convertidos, principalmente aqueles que não tem o direito à cidadania pela Lei do Retorno, tomam anualmente, a Halacha em suas mãos, e se convertem fora dos tribunais especiais de convesão. E isso, apesar destes tribunais especiais terem sido autorizados pelo governo, e serem os únicos oficialmente com permissão para dar o documento denominado “Teudat Amará”, que é o documento que oficializa uma conversão no país. Quando eles (os conversos) escolhem o caminho particular, estão colocando em perigo sua chance de serem reconhecidos como cidadãos e correm o risco de serem expulsos do país.

Entretanto, nos últimos tempos, eles tem recebido importante ajuda de rabinos ortodoxos, principalmente rabinos sionistas religiosos, que preferem “piratear” a conversão. O jornal Haaretz descobriu que o Rabino Chefe da cidade de Efrat, que a muitos anos vem preparando pessoas para o processo de conversão oficial através de seu Ulpan Guiur – muito famoso – vem trabalhando para formar um Tribunal autônomo para conversões. Ele quer converter seus alunos dentro de uma estrutura rabínica, assim como é feito nas comunidades judaicas da Diáspora.

Existem ainda, mais dois tribunais particulares que cuidam de conversões particulares. O primeiro pertence ao Rabino Adin Steinzaltz, em Jerusalém, e o outro em Bnei Brak, pertencente ao Rabino Nissm Karelitz. A Corte de Justiça (Bada”tz) de Bnei Brak é uma instância julgadora que provê quase todos os serviços religiosos alternativos, principalmente para “charidim” (judeus ultra-religiosos) que não querem ter contato com as autoridades governamentais. E nessa Corte de Bnei Brak funciona um tribunal antigo que cuida de conversão. Sua atividade cresceu bastante nos últimos anos. Em 2006 faziam entre 10 a 15 conversões, este ano estão falando em cerca 250 novos judeus.

Voltando ao nosso casal. Emanuel chegou em Israel em 2007 para ficar. Então deu início ao processo que durou quase três anos. Ele e Shira esperaram que a comissão especial se reunisse para julgar e permitir que Emanuel entrasse no Ulpan Guiur. Durante este tempo o casal passaria pela situação mais absurda que possam imaginar. Eles não queriam se casar até que Emanuel se convertesse, até aí tudo bem. Porém as instituições governamentais pediam coisas contraditórias. O Ministério do Interior exigia que o casal vivesse junto como casal, para todos os efeitos, plena vida conjugal. Ao mesmo tempo, exigia o Rabinato, através do departamento de conversões, que eles não vivessem sob o mesmo teto, que não se casassem e guardassem as leis de tsiniut (pudor, decência). Assim, viviam Emanuel e Shirá: para o Ministério do Interior, eram casados e bem casados; e para o Rabinato, totalmente separados.

Resumindo a história, depois que se converteu, Emanuel, no tribunal particular do Rabino Steinzaltz, quando estavam em lua de mel, praticamente três anos depois que apresentaram o pedido formal, recebeu o casal, uma carta da Comissão Especial do Estado de Israel permitindo a Emanuel entrar no processo de conversão. Depois de seu estudo, sem que o governo soubesse que ele já havia estado num tribunal particular, apresentou-se Emanuel perante o Tribunal Oficial do Estado e pouco tempo depois recebia sua “Teudat Amará”. Hoje em dia preferem não falar seus nomes verdadeiros, com receio de que o governo cancele sua conversão por não terem falado sobre a conversão particular que Emanuel havia feito com o Rabino Steinzaltsz.

Outro casal que quase perdeu sua esperança de serem reconhecidos pelo governo israelense, é Elia de 76 anos e Raisa de 74 anos, religiosos charidim de Bnei Brak, Raisa converteu-se a cerca de alguns anos no tribunal particular do Rabino Nissim Karelitz e em outro Rabinato de Jerusalém, porém o Ministério do Interior reluta e nao quer reconhecer a conversão dela e a denomina uma imigrante ilegal. “É muito difícil para nós o fato de Raisa não ter a cidadania”, afirma Elia Sonin, “quem sabe de nós dois quem irá primeiro para o mundo vindouro? Gostaríamos de ter a cidadania dela o mais breve possível. Não é muito bom falar disso, porém estamos muito preocupados: será que Raisa poderá ser enterrada em Israel como judia?”, pergunta Elia.

Apesar de que aparentemente, existem divergências entre eles, juízes dos tribunais oficiais de conversão, aconselham as vezes, casais a buscarem a conversão alternativa. E até mesmo os ajudam nisso. Assim fez o Rabino Israel Rozen, juiz oficial até bem pouco tempo e hoje juiz no mercado particular. “Eu tenho interesse em facilitar as coisas e aceitar melhor os processos de conversão. Quando era juiz oficial, buscava isso com todas as minhas forças”, diz Rozen.

“O absurdo, diz o Rabino Rozen, é que o governo de Israel investe milhões e milhões de dólares para trazer os Olim Chadashim para Israel através da Agência Judaica, e depois temos aqui um grupo não muito grande, porém muito qualitativo de pessoas que querem ser reconhecidas como judeus, já que são filhos de pais e avos judeus, e o governo desperdiça outros milhões para afastá-los desse objetivo. O que estamos fazendo aqui, senão um verdadeiro absurdo? Eu afirmo que nós estamos aqui para ajudar nos casos onde o Rabinato tinha que ajudar e não o faz”.

FONTE: http://www.comiteisraelita.com.br/

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Publicado por em dezembro 23, 2016 em Sem Categoria

 

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