Amazônia, terra prometida – Reportagem Revista Veja

Vida brasileira
Amazônia, terra prometida

A história dos judeus sefarditas que
emigraram para o Pará e o Amazonas


Leonardo Coutinho

Octavio Cardoso
A FAMÍLIA BARCESSAT
O clã do engenheiro Isaac Barcessat, de 74 anos (no círculo branco da foto acima), foi dos poucos que conseguiram manter as raízes judaicas intactas. Barcessat é neto de sefarditas marroquinos que imigraram para o Pará no século XIX. Seu avô, Fortunato Athias, começou a vida no Brasil em 1880, fabricando cachaça. Depois, tornou-se dono de um seringal e, finalmente, estabeleceu-se na cidade de Breves, no Pará. Lá, nasceu Ana, a mãe de Barcessat (no círculo branco da foto abaixo).
Arquivo pessoal
NESTA REPORTAGEM
Quadro: As ondas de imigração judaica

O Brasil recebeu cinco ondas de imigração judaica. A primeira ocorreu em 1630, quando Pernambuco foi tomado pelos holandeses. Nos 24 anos de dominação holandesa no Nordeste, eles fundaram a primeira colônia hebraica e a primeira sinagoga na América. Sob um governo de tolerância religiosa, os judeus chegaram a constituir 50% da população “branca” pernambucana nesse período. Com a derrota dos holandeses, os judeus perderam seus negócios. Expulsos, ajudaram a fundar Nova Amsterdã, hoje Nova York. Dessa fase, sobraram apenas as ruínas da sinagoga pernambucana. A segunda leva deixou marcas mais profundas, embora não aparentes. No início do século XIX, judeus marroquinos emigraram para a Amazônia. Eles foram atraídos pela promessa de liberdade de culto e por uma campanha publicitária internacional feita pelo governo da então província do Grão-Pará. Em 1880, chegaram a Manaus. A assimilação desses sefarditas (como são chamados os judeus do norte da África) foi tamanha que, atualmente, a proporção de descendentes de judeus entre a população “branca” da Região Norte é a maior do país.

Ricardo Oliveira
UM RABINO QUE VIROU SANTO
Em 1908, rabinos marroquinos enviaram um representante, Shalom Emanuel Muyal, para fiscalizar o cumprimento das regras judaicas pelos imigrantes na Amazônia. Muyal morreu dois anos depois. Ninguém sabe o motivo pelo qual ele ganhou fama de milagreiro entre os católicos de Manaus. Seu túmulo é alvo de peregrinações

Uma investigação genética dos brasileiros feita pela Universidade Federal de Minas Gerais mostra que 16% da população da Amazônia que se declara “branca” tem algum judeu entre seus antepassados. É uma proporção muito maior do que a exibida por São Paulo, onde vivem 60% dos 120.000 judeus brasileiros, ou por Pernambuco, estado no qual essa cifra não supera 2%. A razão para haver tantos descendentes de judeus na Amazônia se deve a uma peculiaridade. Nos primeiros anos do século XIX, praticamente só entraram no Brasil sefarditas do sexo masculino. Os mais ricos conseguiram abrir lojas de secos e molhados em Belém e outras cidades da região. A maioria, porém, adotou a profissão de regatão, como é conhecido o caixeiro-viajante que troca mercadorias industrializadas por produtos da floresta, como látex e peles de animais. Os regatões sefarditas só traziam a família para o Brasil ou se casavam com judias depois que acumulavam dinheiro. No meio-tempo, faziam como os portugueses: amancebavam-se com índias, caboclas e até mesmo mulheres brancas católicas.

Roberto Setton
A SINAGOGA DE BELÉM
A capital do Pará abriga o templo mais antigo em funcionamento do país. Inaugurado em 1824, só foi precedido pela sinagoga fundada pelos judeus holandeses no Recife no século XVII, cujas ruínas foram descobertas nos anos 90

A definição cultural de judeu não segue integralmente a genética. Só é considerado como tal quem tem mãe judia e pratica a religião judaica. Por esse motivo, a maioria dos descendentes dos regatões sefarditas não é reconhecida como parte dessa comunidade. E a própria lógica da miscigenação fez com que os laços com a cultura hebraica fossem completamente perdidos nas gerações seguintes. Muitos nem sequer sabem que descendem de judeus. Outros, ainda, se dizem judeus, mas praticam o cristianismo. Em muitos casos, o ambiente isolado da Amazônia esmoreceu a religiosidade dos imigrantes, que tinham dificuldade para praticar sua fé. A primeira sinagoga de Belém só foi inaugurada em 1824, catorze anos depois da chegada dos primeiros sefarditas. O cemitério judaico de Belém, o primeiro do país, foi inaugurado somente em 1848. Para manterem vivas suas tradições, os imigrantes mais fervorosos passaram a copiar a Torá, o livro sagrado dos judeus, e outros textos religiosos a mão em cadernos comuns. Em celebrações religiosas, como a da circuncisão, a cachaça substituía o vinho. Pela tradição, esse ritual deve ser realizado oito dias após o nascimento do menino. Na Amazônia, eles aconteciam com até dez anos de atraso. No início do século XX, um menino foi circuncidado aos 12 anos, porque o pai esperou que nascessem seus irmãos para ir uma vez só da floresta até Belém. O aspecto paradoxal é que, se o isolamento na floresta diluiu a religiosidade de parte dos sefarditas, ele propiciou a preservação de seu idioma, o hakitía. Hoje, a língua subsiste apenas em determinadas localidades da Amazônia e no próprio Marrocos. “A importância da floresta na manuntenção do hakitía é inestimável”, diz o lingüista Mohamed El-Madkouri Maatoui, da Universidade Autônoma de Madri.

No fim do século XIX, os sefarditas enriqueceram com o ciclo da borracha. Os mais bem-sucedidos mandaram seus filhos estudar no Rio de Janeiro. Em 1890, as notícias da súbita prosperidade do Pará motivaram uma nova onda de imigração judaica. Em boa parte, ela foi financiada pelos que já estavam estabelecidos no país. A população judaica no interior do Pará cresceria, assim, exponencialmente. Para se ter uma idéia, metade dos 14.000 habitantes de Cametá, um entreposto comercial da Amazônia, era constituída por sefarditas. O êxito financeiro dos imigrantes provocou uma onda de anti-semitismo. Há relatos de ataques feitos a residências e lojas de imigrantes entre 1889 e 1901. As agressões começavam com passeatas e terminavam com depredações. Embora tenham sido chamadas de mata-judeus, não há registro de que tenham resultado no assassinato de ninguém.

Octavio Cardoso
JUDEUS E CRISTÃOS
A professora aposentada Meryam Shimon Benessuly, de 75 anos (de vermelho, no centro), fala hakitía, idioma original dos sefarditas marroquinos, e segue à risca muitos costumes judaicos, mas trocou a religião de seus antepassados pelo catolicismo. “São costumes que adquiri quando criança e que faço questão que minha família mantenha. Não por fé, mas por orgulho de pertencer a uma cultura milenar”, diz ela

O isolamento imposto aos sefarditas na Amazônia chamou a atenção de rabinos no Marrocos, no início do século XX. Para fiscalizar o cumprimento das normas religiosas pela comunidade estabelecida na floresta, Shalom Emanuel Muyal foi enviado à região, em 1908. Dois anos depois de chegar a Manaus, Muyal foi vitimado por uma doença tropical, provavelmente febre amarela. E aqui reside um aspecto curiosíssimo do sincretismo brasileiro: depois de sua morte, sabe-se lá o motivo, ele ganhou fama de milagreiro entre os católicos locais. Muyal foi enterrado num canto do principal cemitério de Manaus (não havia cemitérios judaicos na capital amazonense naquele tempo) e sua sepultura tornou-se alvo de peregrinações. A fim de evitar que as velas acesas pelos fiéis danificassem a laje do túmulo, o rabino da sinagoga de Manaus mandou construir um muro ao seu redor. Os católicos não se deram por vencidos: passaram a usar o obstáculo como suporte para placas e quadros em que pedem graças e agradecem pelos pedidos que teriam sido atendidos por Muyal. “É impressionante: ele se tornou o santo judeu dos católicos da Amazônia”, admite Isaac Dahan, da sinagoga de Manaus. A devoção é tanta que, nos anos 60, uma tentativa de trasladar os restos mortais do rabino milagreiro para Israel foi abortada em virtude das manifestações indignadas dos amazonenses.

Quando o ciclo da borracha terminou, no início do século XX, as famílias judias mais ricas de Belém mudaram-se para o Rio de Janeiro. “Lá, há uma espécie de sucursal da nossa comunidade”, diz o rabino Moyses Elmescany, da capital paraense. Boa parte da influência dos judeus na Amazônia foi apagada. A sinagoga de Cametá, por exemplo, foi engolida pelo Rio Tocantins e não foi reconstruída. Hoje, nenhum dos habitantes da cidade segue o judaísmo. Em localidades como Óbidos, Breves e Muaná, no Pará, e Tefé e Humaitá, no Amazonas, existem apenas sepulturas. Da procura por uma extensão da Terra Prometida na Amazônia, restaram genes escondidos.

FONTE:  http://veja.abril.com.br/080306/p_062.html

“Você deve se orgulhar do sobrenome que tem!” – Sobrenome Pinto – Familia Pinto

Valorizando os nacionais. O Brasil, bem como os Brasileiros tem um hábito que é explicado historicamente. Em grande parte é valorizado mais o que vem de fora do que a história, cultura e valores nacionais. Os judeus nativos do Brasil tentam explicar a sua história procurando vínculos diretos com Portugal ou Espanha, quando na verdade a raiz da história migrou para o Brasil e aqui é nossa raiz e guarda nossa história. Resgatá-la é um dever nosso e não deve morrer. A história está aqui e tem continuidade aqui.

Segue uma matéria ótima que pesquisei e estou pondo na integra e você poderá conferir direto na fonte.

Entramos em contato com o site, mas não obtemos respostas, por isso postamos e aplicamos a fonte da Notícia, por que isso não é acontecimento, mas Notícia.

Ziraldo, meu irmão:

Tenho um pedido inusitado a lhe fazer: uma amiga minha, professora de Nova Lima (perto de sua terra) está com um problema sério. Uma aluninha dela está com vergonha do sobrenome Pinto. E naturalmente a garotada da classe cai em cima pra aumentar ainda mais o desconforto da menina. A professora, Renilda, enfrentou a barra com jeito, criatividade, mas não conseguiu resolver a coisa de todo. Sugeri que ela falasse de você e de outros Pintos famosos. Ela vai falar numa aula próxima. Mas eu acho que você poderia dar a maior força se a contatasse (e-mail, talvez seja mais fácil) e mandasse um alô e orientação à sua maneira pra resgatar uma menina que está com vergonha do glorioso nome.

Envio abaixo um relato da professora pra você ter uma idéia do que aconteceu e acontece. Sem dúvida você tira de letra a coisa. Como eu não tenho (infelizmente) um Pinto no nome pra explicar melhor, deixo pra você essa responsabilidade, se puder, lógico.
Um abraço do

Mauricio.

(segue-se o relato da professora Renilda)
Amigo Mauricio:

Vou “tentar” ser rápida para te contar um dos casos que te prometi. Tudo ocorreu, na sexta-feira passada, justo no dia da minha tutora!

No tal projeto que devo desenvolver, “A gente faz um país”, eu deveria levar as crianças à conclusão que, através dos sobrenomes das pessoas, somos capazes de descobrir a origem das famílias. Tive que fazer um cartaz com os nomes de todos os alunos e cada um dizia seu sobrenome para que eu pudesse registrá-lo no cartaz. (Cometi uma falta grave! Eu deveria ter olhado os sobrenomes antes dessa tarefa. Acho que assim teria evitado a confusão. Mas como recordar os sobrenomes de 84 alunos?).
Voltemos ao “causo”: Quando estava chegando na vez da Paula dizer seu sobrenome, comecei a perceber uma certa agitação, mesclada de risos, de deboche. Assim que lhe perguntei o sobrenome ela disse imediatamente: “AGUIAR!”

Foi um alvoroço na sala! Todos gritavam: “É mentira! É mentira! O sobrenome dela não é esse!”

A Paula, categórica, retrucava: ” É esse mesmo, minha mãe me disse!”

Resolvi entrar e enfrentar o impasse, dizendo: “Ora! Vocês querem saber mais do que ela qual é o seu sobrenome? Ela já é uma mocinha e sabe dizer seu nome certo!”

Os alunos não se conformavam e a Paula, amuada, baixou a cabeça na carteira.

Eu disse que era fácil averiguar, bastava verificar no livro de chamada da classe. Na mesma hora a Paula levantou a cabeça e disse: “Mas, tia! Aqui eles não sabem meu nome certo!”

Eu expliquei a ela que, para fazer a matrícula, os pais enviaram a certidão de nascimento e que não havia dúvidas.

“Tia, minha mãe falou que eles escreveram errado na certidão!”

Eu já estava curiosa para ver o tal sobrenome. E vi. Coitadinha! Compreendi todo o seu desespero! PINTO!!!

Essa palavra, para crianças de 7 a 9 anos, é o máximo!!!!

Eu olhava para minha tutora, notava que ela esperava uma atitude minha! Ela ainda não sabia nada do Pinto!

Muito séria eu li : “Paula Cristina Pinto!”

Os alunos abaixavam a cabeça para rir, outros menos discretos soltaram gargalhadas, e a coitadinha encolhida de humilhação!

Eu disse:”Por que os risos? Qual a graça num nome tão bonito? Eu quero saber o por quê desse alvoroço! Alguém vai ter que me falar! Joaquim, por que você ri tanto?”

“Ah, tia! Não tenho coragem de falar! Fico com vergonha!”

E fui perguntando para todos. Com risinhos envergonhados, ninguém se atrevia a me explicar… até que o João, que é mais atrevido, disse:

“É que o sobrenome dela é Pinto!”

“E o que tem isso demais? Conheço um tanto de Pintos!”

Nessa hora eu mesma vi a conotação da minha frase na cabecinha deles, e corrigi: “Um tanto de gente que tem o sobrenome PINTO! Qual a graça nisso?”

“Ah, tia! É que pinto, é aquela coisa do homem!”

Eu, fingindo surpresa, indaguei: “Que coisa do homem que chama Pinto? Não conheço nenhuma!”

A Juliana, a assanhada da sala, logo se prontificou a explicar: “É aquele negócio que o homem tem pra fazer xixi!”

A Manuela, querendo ser mais inteligente, disse: “Sua burra! A gente fala é sexo do homem!”

Eu “superassustada”, perguntei: “O quê? O homem tem um pinto? Eu não sabia!!!! E esse pinto faz o xixi pro homem??? Eu sei que pinto é o filhote da galinha, que ele faz piu…piu…, que come bichinhos… Não sabia que o homem tem um dentro da cueca!!! “
A sala veio abaixo de tanto rir! Eu já não estava conseguindo me segurar, com vontade de rir!

Perguntei aos meninos, quem teria coragem de me mostrar o seu pinto!! Que eu estava curiosa para ver se ele piava e se não os bicava, se ficava quietinho dentro da cueca, se não morria com falta de ar!!!

Daniel, o sabichão, disse: “É outro pinto tia! Não é o da galinha não! É o negócio do homem! “

Aí, eu fui explicar, que o “negócio” do homem se chamava pênis e não Pinto! Que quando é criancinha, as pessoas carinhosamente chamam de pinto, para facilitar (facilitar para eles e complicar para as professoras)! Falei que agora, eles já eram grandinhos e estavam aprendendo uma nova palavra: PÊNIS!!!

Ainda pedi: “Vamos repetir? Quantas sílabas ela tem? Então como ela será classificada? Como se chama esse acento?”

Não sei se tomei a atitude certa, só sei que a Paula começou até a rir dos meninos, e acabou sua tristeza, apesar de não se conformar ainda com o seu “Pinto”, pois no final da aula, ela me procurou e disse:”Eu sou Aguiar sim, minha mãe falou! O homem lá do cartório é que confundiu!”

O caso se resolveu de um lado, mas ainda estou preocupada! Essa menina, por complexo, está rejeitando o próprio nome, negando sua identidade!

Como você acha que devo lidar com ela? Como ajudá-la a aceitar? Falei com ela sobre a família Magalhães Pinto, da tradição e orgulho deles pelo nome. Falei que não é o sobrenome que nos faz, e sim nós que tornamos nosso sobrenome honrado ou…maldito!

Agora, preciso descobrir a origem da família Pinto.

Quero só ver a avaliação da minha tutora!!!

Fique com Deus, amigo!

Mande um beijão pro Chico Bento!!!…

Renilda

( e agora, a resposta do Ziraldo)

Renilda:

Diz pra Paula que ela deve se orgulhar do sobrenome que tem. Ela, certamente, deve ser moreninha, como todos os que têm esse sobrenome. Fiquem sabendo que nós, os Pintos, não somos cristãos-novos como os que têm sobrenome de bichos – Coelho, Carneiro, Raposo, Leão – ou nome de árvores, como Carvalho, Pinheiro, Macieira, Pereira, Oliveira, etc. Nós somos descendentes dos judeus morenos da Península Ibérica, os Sefardins. Quando os árabes chegaram à Portugal, encontraram os lusos que eram branquíssimos, descendentes dos Celtas. Os lusos – os primeiros portugueses – levaram o maior susto com aquela gente morena e achavam que nossa turma era pintada de marrom. E passou a chamar a gente de pinto, ou seja, o particípio passado sincopado do verbo pintar (assim como ganho e ganhado). Pinto quer dizer pintado. Ou seja: moreno. É um belo sobrenome e a Paula deve se orgulhar dele. Nós não somos filhotes de galinha.

Um beijo do

Ziraldo

com aval do Mauricio de Sousa

Obs.: Os nomes verdadeiros foram trocados por fictícios para manter em sigilo a verdadeira identidade das crianças.


02.09.2005

Fonte: http://www.monica.com.br/mauricio/cronicas/cron289.htm

Crenças judaicas Sefarditas – ספרדים

 

 

 

 

Imagem de Judeu sefardita retirada do site flickr

Imagem de Judeu sefardita retirada do site flickr - Foto meramente ilustrativa.

 

 

 

 

 

 

Prosseguindo com os relatos em relação as origens e o estudo das crenças do judaísmo. É muito difícil hoje falar sobre crenças e tradições judaicas sem antes observarmos um fato interessante que ocorre com nosso povo. Temos uma variedade grande de crenças talvez maior que o nosso numero de Etinias. Já dizia um ditado antigo, dois Judeus, quatro opiniões… – não 5! – Louco! são 12! E assim vai. Como essa revista é dirigida por sefarditas, preferimos defender as opiniões sefarditas.

 

Está muito em alta hoje em dia falar sobre reencarnação em nossas rodas de conversa. E ficamos com diferenças de opinião quanto a isso, até por que a grande maioria do material Judaico que se tem acesso é azkenazi e a crença judaica na reencarnação em grande maioria provem da parte dos azkenazim e não dos sefaradim. Mas de onde veio a crença na Reencarnação. Sem contestar as revelações posteriores, na Toráh não há uma revelação ou conhecimento que HaShem, bendito seja ele , tenha dado a seu povo. Na verdade Os relatos mais antigos vieram de outros povos como os povos pais dos Hindus e dos Egípcios que não deixam de ser povos pós hebreus ou povos filhos dos Hebreus. Mesmo assim quando vemos Sefer Chanoch verificamos que alguns segredos Celestiais foram dados aos homens pelos Sentinelas que se macularam com as mulheres dos homens. Esses shedim deram aos homens o conhecimento de artes mágicas e como adquirir poder da lei natural da Elohut Leis que foram criadas por HaShem, mas que não haviam sido reveladas. Hoje conhecemos algumas, um grande exemplo é a gravidade. 

 

Pela tradição Sefardita não cremos na Reencarnação como uma fonte fiel de caminhar, até por que, como já vimos alguns homens não evoluem justamente por crerem que podem fazer isso em uma próxima vida. Outro fato é que se alguém consegue consultar os mortos, mesmo que se passe muito tempo depois de sua morte, reencarnação passa a não existir. Fora isso também temos o fato de se cremos em reencarnação, cremos também que raças e classes sociais devem se manter distantes e não devemos interagir na ajuda, por que se alguém sofre por ter feito algo errado, essa pessoa deve pagar justamente pelo que cometeu e ajuda-las seria interferir na justiça e a nossa magnífica Toráh nos instrui a ajudar o próximo. Se ajudar o próximo é atrapalhar a justiça em algum caso, isso iria contradizer a Toráh que nos ordena tzedakáh e diz que ela é ajudar o caído. Bem existem também outros casos que mostram comprovações entre a reencarnação e a Toráh e como existem pós e contras, decidimos não dar uma opinião concreta, mas mesmo assim, mantemos a crença de apenas uma vida, por que A vida é HaShem e se HaShem é Echad a vida também e Echad. Outro fato é que damos prioridade ao que a Toráh nos dá a entender, mesmo que ela não diga diretamente. Por exemplo Mashiach, a Toráh fala sobre mashiach, mas é no Tanach que encontramos mais detalhes sobre o seu advento. Fora isso na Toráh e na tanach não falam nada sobre reencarnação. provavelmente a crença na reencarnação judaica veio dos protestantes da Europa que tiveram contato com os Azkenazim. O serviço azkenazim é muito parecido com o Serviço das Igrejas cristãs da Alemanha, Áustria e Polônia, pois nesses lugares os ritos são mais cerimoniais. já para os Azkenazim a festa e uma exagerada gritaria algumas fezes se faz mais presente. Assim acontece em todos os movimentos Semitas até mesmo com os árabes.

 

Crer ou não crer em reencarnação não é uma mitzváh, mas é arriscado abrir uma porta para uma crença que não seja de uma fonte 100% judaica. Até mesmo atos de magia não devem ser incentivados apesar de crermos na cabala ksher. Devemos ficar com olhos atentos e estar constantemente aprendendo e procurando informações de onde vieram as coisas, justamente para não deixar que o estrangerismo nos domine.  Para um Sefardita é preciso ter em mente uma coisa, não pense muito sobre o que há de ser na outra vida, se preocupe em viver o máximo dentro da Toráh essa vida seja exemplo dos fieis, se nossa justiça não esceder e muito a justiça de um sofer e de um chassid, como pretendemos participar do tikum Olam e sermos merecedores do Malchut. Faça o possível aqui nessa vida, ajude outros a evoluírem nessa vida, você pode ser punido por viver desleixadamente, essa vida e pode não receber outra por desprezar o presente dessa e se levar outros a despreocupação com essa mesma vida, pode ser responsável por não dar chance de evolução para outra vida. Portanto estude a Toráh, mais que nossos sábios saibam o que estavam falando e tragam formas místicas para chegar a HaShem, devemos entender que na Toráh está a sabedoria e a base para toda a vida e se existirem, as outras também.

Judeus Sefarditas – jewish sephardic – ספרדים

Judeus Sefarditas - jew sephardic

 Foto meramente ilustrativa.

 

 

 

 

Judeus Sefarditas

 

De fato o Brasil é um país filho de Avrahan (Abraão). O que a História popular insiste em não comentar são os Sefarditas e vez ou outra um leve comentário sobre os mouro-árabes. O fato de acreditarem que o Brasil foi descoberto somente por Branco portugueses e negros, faz com que haja uma perda da identidade como raça e povo. Não estamos falando de racismo, estamos falando da barreira natural da identidade. O judeu não é branco, ou negro, ou moreno, judeu é judeu. Seja ele Azkenazi, sefardi, Mizraí, falasha e etc. Dentro da raça judaica existem Etnias e sempre mantemos o nosso respeito pelas Etnias Judaicas. Respeito deve sempre haver, e saber quem é, de onde veio, ajuda o indiviuo na caminhada para onde vai.

 

No Brasil existe um desenfreado crescimento da mistura racial que não existe em nenhum lugar do mundo, não com a mesma intensidade. Isso porque no Brasil havia uma barreira racista, essa barreira impedia que os Escravos se tornassem iguais aos livres. Depois da quebra dessa barreira, e com a falta de conhecimento da raiz Brasileira, criou-se algumas idéias gerais, chamadas de censo comum. Segundo o censo comum popular, não existe brancos no Brasil, por que se vem um Europeu alemão, por exemplo o cabelo, a cor e tudo remonta a Europa branca ariana. Outra idéia muito comum aceita pela maioria é a idéia de que passou de branco negro é, isso sem levar em conta as etnias que formaram o Brasil. Bem se levarmos em conta que os Judeus que vieram para o Brasil em sua maioria vieram da Ásia menor e de países árabes, que depois de buscarem refugio na Espanha medieval, foram expulsos para Portugal e deixando para traz os que poderiam se disfarçar com o povo local. E para o Brasil foram enviados os que racialmente lembravam muito os judeus medievais ou pré-medievais. Esses foram expulsos para o Brasil e buscaram refugio nos sertões e agrestes brasileiros. Lembrando que Pernambuco, Ceará e minas foram berço do cripto-judaísmo no Brasil. A cultura sertaneja também tem uma grande proximidade com a musica modal sefardita e as roupas são muito próximas as roupas festivas dos judeus do Yemen. Todos esses fatos só servem para comprovar que o Brasil é filho de Avrahan (Abraão) e que preservaram se não tudo pelo menos parte da cultura deixada pelos nossos antepassados. Os Semitas do Brasil, Aos poucos retomam suas forças na saída do cativeiro de Mitzraim (Egito) e sai, mesmo que se arrastando do agreste e o deserto desse imenso Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

Judeus sefaraditas ( Judeu de origem Hispano-portuguesa), sefaradim ou sefarditas do nordeste e nordeste do Brasil? – ספרדים 犹太

imagem do dicionário com a comprovação de nossa origem do nordeste do brasil.

imagem do dicionário com a comprovação de nossa origem do nordeste do brasil.

Por muito tempo havia no Brasil o mito que de que os Judeus de origem hispânica e portuguesa seriam portugueses, mas o fato de terem nacionalidade portuguesa não significa que devam parecer com Portugueses tradicionais, mas com Judeus. Aos poucos o preconceito tem diminuído a esse respeito e os Judeus Sefaraditas tem se assumido e ocupado seu lugar familiar. Mesmo não obtendo grande aceitação na comunidade azkenazim e em algumas comunidades sefaraditas (de origem fora do Brasil) os Sefarditas do chamado Cripto-judaísmo tem estudado e formado nos seus ventres familiares no quarto de shabat em suas casas, no escondido o seu judaísmo. Nem sempre, pelo que vi, esse cripto-judaísmo é Judaísmo de fato, mas parte da tradição , o que não tem menor valor por isso, pois dá aos filhos e família uma base cultural que dá a possibilidade a seus filho de RETORNO. Que o Eterno ajude aos Carneiro e a outros sefarad no Brasil em sua caminhada.

Judeus - Albert Einstein

Albert Einstein – Judeu de origem Alemã naturalizado Americano.

Sobrenome da família carneiro – A Origem da família e suas raízes.

Sobrenome da família carneiro – A Origem da família e suas raízes.

sefarad

Será postado, em breve, um estudo mais apurado. Hoje as informações que temos ainda são vagas e em breve chegarão novos materiais de pesquisa e um mapa de como chegar aos dados recolhidos. Mesmo assim esse post, mesmo não tendo uma gama muito grande de informações, será de grande valia para regar de conhecimento básico e de curiosidade para ajudar a alma da família a encontrar ou retornar a suas raízes.

A família Carneiro é formada basicamente por Judeus da Espanha que viveram a era de ouro do Judaísmo durante a diáspora na península Ibérica. Segundo conta a tradição, a Espanha era abrigo para muitos judeus de vários lugares e foi o refúgio do judaísmo durante a diáspora. A Espanha era até tratada por muitos desses judeus, conhecidos como sefarad, como sendo sua própria casa e com um carinho especial, como sendo extensão de Jerusalém. Mesmo assim, com a intolerância da Igreja Cristã, os judeus sefaradim oriundos de vários lugares, foram expulsos da Espanha para Portugal, alguns ainda retornaram para o norte do Marrocos, outros permaneceram em Portugal e sofreram o processo inquisitório do “Santo Oficio”.  A inquisição católica considerava crime a prática do judaísmo  sendo punido com a morte. Como para o Judaísmo, nada no homem, propriamente dito, é mais importante do que a preservação da vida, muitos se esconderam, sendo cristãos nominais e vivendo as escondidas um cripto-judaísmo. Chamados então de Cristãos-novos os judeus não podiam nem falar de suas origens. Mesmo sem status, tinham que provar o seu valor entre os cristãos. E como os judeus sempre foram excelentes navegadores e conhecedores de astros e pontos cardeais foram muito utilizados nas navegações portuguesas. Os que poderiam se misturar com o portugueses ficaram em Portugal. Os que tinham mais dificuldade de se misturar pela aparência física e pelo preconceito latente, foram enviados para o Brasil. Desses, poucos se arriscavam a viver judaísmo. Os que se arriscavam eram julgados e mortos. No nordeste durante muito tempo ainda se respeitava o shabat, mas era muito difícil sem a ajuda fazer o devido retorno. Para proteger os filhos muitos judeus não contavam as histórias para as crianças, mas transmitiam as tradições sem dizer o porquê e depois de algum tempo transmitiam alguns segredos aos filhos homens mais velhos. Crianças sempre falavam e arriscavam a vida de toda uma família. A tradição de permanecer entre famílias é vista até hoje no nordeste do Brasil onde os Bezerra, os Seixas, os Lopes e os carneiros dão em casar preferencialmente a essas famílias em algumas cidades de Pernambuco e Ceará. Os Sefarad (sarará) escondem suas origens entre simplicidade e união entre as famílias.

Como os judeus tiveram seus bens confiscados pelo governo Espanhol e Português, era difícil sair do Brasil. Uma pequena parte, que conseguiu vender seus bens, fugiu para Nova Amsterdã (EUA). Mas a Grande maioria dos sefaradim foram para os Sertões e agrestes do Brasil, remontando assim o ambiente do Egito onde outrora, também éramos cativos. Algumas famílias Sertanejas de Cidades Isoladas do Nordeste e Minas gerais ainda guardam a tradição de casarem entre os primos e famílias amigas, uma arma para a proteção dos Sefaradim. Alguns já estão retornando por que guardavam algumas informações da tradição, outros só guardam os costumes. A verdade é que a Alma Judaica sempre vai sentir falta do Eterno e do Judaísmo. E Muitos  sofrem sem saber sua herança. A história ainda está sendo Escrita. Como vai terminar? Não sabemos. A única coisa que sabemos é que ninguém pode dar margens a um futuro, se não conhecer seu passado.

NOTA: esse blog tem a intenção de ser uma revista que relata questões de tradição familiar e embora tenhamos contato religioso e cultural, não representamos nenhum órgão oficial. Até porque a grande parte dos órgãos oficiais que tratam desse assinto são Azkenazim e não sefaradim. As informações aqui pautadas são de fontes históricas e tradicionais e não tem intuito de ser verdade absoluta. O que podemos fazer é unir a família e tentar ajudar aos nossos que estão espalhados a se reunir novamente. Quanto a preocupação de credo, política e outros detalhes, não nos importa muito. O que mais vale é a teshuvah (retorno/ conversão) escondida em um quarto dentro de sua casa no shabat, do que uma vida de judaísmo aberto e sem aceitação. Judaísmo é vivido no coração da família, no aprendizado, no guardar mandamentos e amor a HaShem (o Eterno). Lembre-se sempre que a Esnoga está dentro da sua família. Entregar a tradição a um filho e ensina-lo a honrar ao Eterno com o que ele nos pediu na torah é a melhor coisa que um pai e uma mãe pode fazer por ele. Pense nisso.

Procure conhecer e andar nos mandamentos antes de procurar um órgão só para dizer que é judeu. Conheça sempre mais, e procure andar segundo a obediência do Eterno. Mais do que as tradições, tudo começa com um coração obediente.

Que HaShem abençoe a todos. Espero ter ajudado com as informações que muitos estavam solicitando. Shlam.

FONTE: www.bneianussim.wordpress.com