Herança judaica do Sertão

Foto meramente ilustrativa.
Fotos retiradas de:
http://www.flickr.com/photos/10227535@N08/
Vários traços da cultura judaica são observados no comportamento do homem sertanejo. Os judeus se refugiaram no Sertão nordestino, quando vieram da Europa para o Brasil, fugindo das perseguições da Inquisição. por BRUNO ALBERTIM
Enquanto aguardam que o projeto sobre o assunto seja aprovado pelo Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar de Judaísmo da Universidade Federal de Pernambuco e, assim, adquira respaldo científico, as pesquisadoras elencaram vários dos traços, verificados no interior do Nordeste, do povo que se espalhou mundo a fora fugindo de perseguições políticas e religiosas. Os dois mais fortes deles estão ligados à morte e a um dos ritos de celebração da vida, o casamento.
A despeito de outras razões, Graça Vieira explica o porquê do hábito sertanejo de jogar pedrinhas sobre túmulos, sobretudo nos identificados com cruzes improvisadas à beira das estradas. “Quando os judeus se deparam com o sagrado, com o além, eles costumam jogar pedras em sinal de reverência”, diz ela acerca dos objetos que fazem parte da paisagem de várias rodovias nordestinas.
Como os judeus cruzaram-se com os sertanejos é algo que se remete à descoberta do Brasil. A Europa vivia a Inquisição que os perseguia e os empurrava à conversão católica. Não há registros precisos de quantos, mas o que se sabe é que ‘cristãos novos’ vieram para o Brasil. “Eram famílias inteiras em busca de liberdade. Durante a ocupação holandesa, inclusive, muitos vão reassumir a condição hebraica”, diz Graça Viera.
Outro ritual fúnebre dos sertões, acredita a pesquisadora Graça Vieira, remanesce desse período. “Da mesma forma que os cristãos jogam flores nas catacumbas de seus mortos, os judeus têm o hábito de jogar terra. Antes de sair os mortos carregados em redes, os sertanejos mantém ainda o hábito de atirar punhados de terra na direção do funeral”, compara.
Com a reocupação portuguesa do Brasil, a partir de 1654, os sefarditas (ou sefaraditas), ou seja, os judeus provenientes da Penísula Ibérica, passam a sofrer novas perseguições. “Dados indicam que a maioria dos ‘cristãos novos’ se refugiou nos sertões”, diz.
Do encontro dos dois povos surge o hábito do endocruzamento, ou seja, a repulsa por elementos estranhos nos agrupamentos familiares. “Como os judeus, o povo dos sertões costumam casar entre si. Primos e primas da vários graus, tios e sobrinhas, etc”, conta. Não seria isso falta de opção das comunidades mais afastadas? “No meio de isolamentos rurais maiores, verifiquei vários micro-isolamentos”, responde. E por que teriam os judeus, conhecidos pela manutenção de suas comunidades, se misturado com brasileiros? “Para esconder a identidade judaica era interessante para os ‘cristãos novos’ casarem-se com os cristãos velhos,” diz. Daí, retomaram-se velhos costumes judaicos que, como querem mostrar as pesquisadoras, se estendem até os dias atuais.
Fontes:
http://bneianussim.wordpress.com/
http://jc.uol.com.br/
Contato com esse grupo:
familia_carneiro-subscribe@yahoogrupos.com.br

